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Nuvem

Como reduzir custos de nuvem: uma revisão de 30 minutos para startups e PMEs

A conta de nuvem raramente dispara de um dia para o outro. Ela cresce aos poucos, com servidores de teste ligados, snapshots acumulados e ninguém responsável pelo total. Esta revisão leva meia hora, não exige ferramentas especiais e muitas vezes encontra economias logo na primeira passada.

Por Wendel Fernandes de LanaFundador da MagzPublicado em 5 min de leitura

Em resumo

  • Comece pela fatura, não pela arquitetura: poucos serviços costumam concentrar a maior parte do gasto.
  • Os ganhos mais rápidos estão em recursos ociosos e esquecidos, servidores superdimensionados, ambientes de teste ligados o tempo todo e logs guardados para sempre.
  • Termine criando um orçamento com alertas e definindo um responsável, para que a economia dure.
Nesta página
  1. Antes de começar
  2. Minutos 0 a 5: leia a fatura
  3. Minutos 5 a 15: encontre recursos ociosos e esquecidos
  4. Minutos 15 a 25: ajuste o tamanho do que está rodando
  5. Região no Brasil ou fora dele?
  6. Minutos 25 a 30: crie proteções
  7. O que deixar para depois

Antes de começar

  • Acesso somente leitura ao console de faturamento do seu provedor.
  • Uma lista dos seus ambientes, mesmo que aproximada: produção, homologação, testes e qualquer coisa experimental.
  • Alguém que saiba o que cada sistema faz, para nada importante ser desligado por engano.

Não mude nada durante a revisão. Anote o que encontrar e só aja depois de confirmar com o responsável por cada recurso.

Minutos 0 a 5: leia a fatura

Abra o relatório de custos dos últimos três meses agrupado por serviço. As ferramentas do próprio provedor bastam:

  • AWS: Cost Explorer, com o AWS Budgets para alertas.
  • Microsoft Azure: Cost Management, com orçamentos e alertas de custo.
  • Google Cloud: relatórios do Cloud Billing, com orçamentos e alertas.

Anote os três serviços que mais custam e se cada um está subindo, estável ou caindo. Crescimento sem um aumento equivalente de clientes ou de uso é a sua primeira pista. Se a fatura é em dólar, acompanhe também o valor em reais, porque o câmbio muda o custo mesmo quando o uso não muda.

Minutos 5 a 15: encontre recursos ociosos e esquecidos

Estes custam dinheiro a cada hora e não fazem nada de útil:

  • Discos e volumes que não estão ligados a nenhum servidor.
  • Snapshots e backups antigos, além do prazo da sua política de retenção.
  • Balanceadores de carga, bancos de dados e servidores sem tráfego.
  • Endereços IP públicos reservados e sem uso.
  • Ambientes de teste e homologação ligados durante noites e fins de semana.
  • Recursos em regiões, contas ou projetos que ninguém reconhece.

Marque cada um como apagar, desligar em horário programado ou manter, e anote quem precisa confirmar.

Minutos 15 a 25: ajuste o tamanho do que está rodando

Agora olhe para os recursos que vão ficar. Cada provedor tem uma ferramenta de recomendações que aponta os casos óbvios:

  • AWS: Compute Optimizer e Trusted Advisor.
  • Microsoft Azure: Azure Advisor.
  • Google Cloud: Recommender, com recomendações de tipo de máquina e de recursos ociosos.

Procure servidores e bancos de dados que raramente usam mais do que uma pequena parte da CPU ou da memória, armazenamento em uma classe cara embora quase nunca seja lido e logs sem limite de retenção. Na AWS, por exemplo, os grupos de logs do CloudWatch guardam os dados para sempre, a menos que você defina um prazo de retenção.

Vale olhar também a transferência de dados. O tráfego entre regiões e para a internet costuma ser cobrado, e um serviço mal configurado pode movimentar muito mais dados do que você imagina.

Região no Brasil ou fora dele?

Rodar no Brasil reduz a latência para usuários brasileiros, mas costuma custar mais. Na tabela de preços da AWS de setembro de 2026, uma instância t3.medium com Linux sob demanda custava US$ 0,0672 por hora na região de São Paulo e US$ 0,0416 por hora no norte da Virgínia, cerca de 60% a mais.

A LGPD não exige que os dados fiquem no Brasil, mas a transferência internacional de dados pessoais precisa seguir as regras da lei e da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), como as cláusulas-padrão contratuais. Por isso, decida a região olhando para latência, custo e contrato, e não por hábito.

Minutos 25 a 30: crie proteções

  • Crie um orçamento mensal com alertas, por exemplo em 80% e 100% do gasto esperado.
  • Marque os recursos com tags ou rótulos de responsável e ambiente, para a próxima revisão ser mais rápida.
  • Defina uma pessoa responsável pela conta de nuvem, que a revise todo mês.
  • Coloque a próxima revisão na agenda.

Uma regra simples

Tudo que não tem dono é candidato a sair. Pergunte à equipe, dê uma semana para alguém assumir, depois desligue primeiro e só apague quando tiver certeza de que ninguém precisa.

O que deixar para depois

Algumas economias são reais, mas exigem mais do que meia hora. Planeje essas depois dos ganhos rápidos.

Economias maiores que exigem planejamento
MudançaPor que esperar
Descontos por compromisso, como Savings Plans da AWS, reservas da Azure ou descontos por compromisso de uso (committed use discounts) do Google CloudAssuma compromisso só depois de ajustar o tamanho dos recursos, ou você trava o desperdício por um a três anos
Migrar para serviços gerenciados ou serverlessExige testes e pode mudar o comportamento da aplicação
Mudanças de arquitetura, como cache ou filasEconomia real em escala, mas é trabalho de engenharia, não de organização
Trocar de provedor de nuvemPara uma equipe pequena, o custo da migração costuma ser maior que a economia

Se a revisão encontrar mais do que você tem tempo para resolver, a revisão de custos de nuvem da Magz analisa as suas contas a fundo, ordena cada economia por esforço e risco e pode fazer as mudanças com um plano de retorno.

Quer que alguém faça a revisão por você?

Mande uma mensagem curta dizendo qual é o seu provedor e quanto gasta por mês. Dizemos se uma revisão completa tende a se pagar.

Sobre o autor

Wendel Fernandes de Lana

Fundador da Magz

Wendel Fernandes de Lana é fundador da Magz. É bacharel em Sistemas de Informação pela Universidade de São Paulo, fez um curso executivo de verão sobre negócios digitais na California State University, Northridge, e já trabalhou com desenvolvimento web, automação de CRM e Apache AGE, a extensão open source de grafos para PostgreSQL.

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