Nuvem
Como reduzir custos de nuvem: uma revisão de 30 minutos para startups e PMEs
A conta de nuvem raramente dispara de um dia para o outro. Ela cresce aos poucos, com servidores de teste ligados, snapshots acumulados e ninguém responsável pelo total. Esta revisão leva meia hora, não exige ferramentas especiais e muitas vezes encontra economias logo na primeira passada.
Em resumo
- Comece pela fatura, não pela arquitetura: poucos serviços costumam concentrar a maior parte do gasto.
- Os ganhos mais rápidos estão em recursos ociosos e esquecidos, servidores superdimensionados, ambientes de teste ligados o tempo todo e logs guardados para sempre.
- Termine criando um orçamento com alertas e definindo um responsável, para que a economia dure.
Nesta página
Antes de começar
- Acesso somente leitura ao console de faturamento do seu provedor.
- Uma lista dos seus ambientes, mesmo que aproximada: produção, homologação, testes e qualquer coisa experimental.
- Alguém que saiba o que cada sistema faz, para nada importante ser desligado por engano.
Não mude nada durante a revisão. Anote o que encontrar e só aja depois de confirmar com o responsável por cada recurso.
Minutos 0 a 5: leia a fatura
Abra o relatório de custos dos últimos três meses agrupado por serviço. As ferramentas do próprio provedor bastam:
- AWS: Cost Explorer, com o AWS Budgets para alertas.
- Microsoft Azure: Cost Management, com orçamentos e alertas de custo.
- Google Cloud: relatórios do Cloud Billing, com orçamentos e alertas.
Anote os três serviços que mais custam e se cada um está subindo, estável ou caindo. Crescimento sem um aumento equivalente de clientes ou de uso é a sua primeira pista. Se a fatura é em dólar, acompanhe também o valor em reais, porque o câmbio muda o custo mesmo quando o uso não muda.
Minutos 5 a 15: encontre recursos ociosos e esquecidos
Estes custam dinheiro a cada hora e não fazem nada de útil:
- Discos e volumes que não estão ligados a nenhum servidor.
- Snapshots e backups antigos, além do prazo da sua política de retenção.
- Balanceadores de carga, bancos de dados e servidores sem tráfego.
- Endereços IP públicos reservados e sem uso.
- Ambientes de teste e homologação ligados durante noites e fins de semana.
- Recursos em regiões, contas ou projetos que ninguém reconhece.
Marque cada um como apagar, desligar em horário programado ou manter, e anote quem precisa confirmar.
Minutos 15 a 25: ajuste o tamanho do que está rodando
Agora olhe para os recursos que vão ficar. Cada provedor tem uma ferramenta de recomendações que aponta os casos óbvios:
- AWS: Compute Optimizer e Trusted Advisor.
- Microsoft Azure: Azure Advisor.
- Google Cloud: Recommender, com recomendações de tipo de máquina e de recursos ociosos.
Procure servidores e bancos de dados que raramente usam mais do que uma pequena parte da CPU ou da memória, armazenamento em uma classe cara embora quase nunca seja lido e logs sem limite de retenção. Na AWS, por exemplo, os grupos de logs do CloudWatch guardam os dados para sempre, a menos que você defina um prazo de retenção.
Vale olhar também a transferência de dados. O tráfego entre regiões e para a internet costuma ser cobrado, e um serviço mal configurado pode movimentar muito mais dados do que você imagina.
Região no Brasil ou fora dele?
Rodar no Brasil reduz a latência para usuários brasileiros, mas costuma custar mais. Na tabela de preços da AWS de setembro de 2026, uma instância t3.medium com Linux sob demanda custava US$ 0,0672 por hora na região de São Paulo e US$ 0,0416 por hora no norte da Virgínia, cerca de 60% a mais.
A LGPD não exige que os dados fiquem no Brasil, mas a transferência internacional de dados pessoais precisa seguir as regras da lei e da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), como as cláusulas-padrão contratuais. Por isso, decida a região olhando para latência, custo e contrato, e não por hábito.
Minutos 25 a 30: crie proteções
- Crie um orçamento mensal com alertas, por exemplo em 80% e 100% do gasto esperado.
- Marque os recursos com tags ou rótulos de responsável e ambiente, para a próxima revisão ser mais rápida.
- Defina uma pessoa responsável pela conta de nuvem, que a revise todo mês.
- Coloque a próxima revisão na agenda.
Uma regra simples
Tudo que não tem dono é candidato a sair. Pergunte à equipe, dê uma semana para alguém assumir, depois desligue primeiro e só apague quando tiver certeza de que ninguém precisa.
O que deixar para depois
Algumas economias são reais, mas exigem mais do que meia hora. Planeje essas depois dos ganhos rápidos.
| Mudança | Por que esperar |
|---|---|
| Descontos por compromisso, como Savings Plans da AWS, reservas da Azure ou descontos por compromisso de uso (committed use discounts) do Google Cloud | Assuma compromisso só depois de ajustar o tamanho dos recursos, ou você trava o desperdício por um a três anos |
| Migrar para serviços gerenciados ou serverless | Exige testes e pode mudar o comportamento da aplicação |
| Mudanças de arquitetura, como cache ou filas | Economia real em escala, mas é trabalho de engenharia, não de organização |
| Trocar de provedor de nuvem | Para uma equipe pequena, o custo da migração costuma ser maior que a economia |
Se a revisão encontrar mais do que você tem tempo para resolver, a revisão de custos de nuvem da Magz analisa as suas contas a fundo, ordena cada economia por esforço e risco e pode fazer as mudanças com um plano de retorno.
Quer que alguém faça a revisão por você?
Mande uma mensagem curta dizendo qual é o seu provedor e quanto gasta por mês. Dizemos se uma revisão completa tende a se pagar.

Sobre o autor
Wendel Fernandes de Lana
Fundador da Magz
Wendel Fernandes de Lana é fundador da Magz. É bacharel em Sistemas de Informação pela Universidade de São Paulo, fez um curso executivo de verão sobre negócios digitais na California State University, Northridge, e já trabalhou com desenvolvimento web, automação de CRM e Apache AGE, a extensão open source de grafos para PostgreSQL.